With an angel face and a taste for suicidal

Saudades

Passo na frente do colegio, na rua da minha casa, no centro, no shopping. Em cada lugar que vou tem uma lembrança dele, tem um pedaço, um riso, uma lagrima, um beijo, um abraço, um aperto no peito.

Saudades dos beijos dele, das nossas briguinhas de quem era a vez de esperar o outro na frente da sala de aula na hora do recreio, das mãos dele nas minhas, quando iamos para casa, de como ele me fazia sentir segurar ao entrar em um onibus e de quando ele recitava musicas que demonstravam nosso amor. Passavamos horas no celular. Saudades das nossas discurssões matinais e semanais. Saudades de xingar ele por querer ir pra festas e ele so ia pra ficar no celular comigo e cuidar dos amigos.

Enfim, saudades.

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"Não estava me sentindo bem e decidi ir ao médico. Cheguei ao hospital, preenchi minha ficha e esperei ser chamado. Chegara minha vez, entrei no consultório e o médico, gentilmente, pediu para que eu sentasse numa mesa gelada encoberta por um pano verde desbotado, eu disse que meu peito doía, ele usou aqueles instrumentos, desconheço o nome deles, me pediu para abrir a boca e falar “AAAH”, depois, pediu para eu respirar fundo um monte de vezes enquanto ele usava um de seus instrumentos para escutar se havia algo de errado. Ele me disse que ouvira um barulho de água dentro de meu peito, confesso que tive medo, ele repetiu aquela ordem “respire bem fundo” diversas vezes, para ouvir o que havia dentro de mim, pressionou fortemente meus pulmões, doeu um pouco, mas eu me mantive calado. Passaram-se desde a entrada no consultório até ali, 30 minutos. O médico, grisalho, aparentemente experiente, demonstrava claramente não entender o que estava sucedendo comigo. Seria grava a minha doença? Ele me pediu para fazer exames. Fui embora para a casa sem uma solução, meu peito doera mais, afinal, o medico tivera pressionado meu peito, era uma dor muito incomoda, sentia como se meu peito pudesse explodir a qualquer momento e um mar imensa sair de dentro de mim. Na manhã seguinte, fui a uma clínica especializada para fazer os exames e tirar também algumas radiografias da região do tórax. Após a bateria de exames, retornei para a casa e comi, eu havia ficado de jejum, odeio ficar sem comer, fico com um péssimo humor, sou chato de estomago cheio, não queiram me ver com fome. De tarde, ligam na minha casa, sou eu quem atendera, era da clínica, os exames já estavam prontos. Eu e meu pai fomos até lá para pegar os resultados e levar o quanto antes para o bom médico que me atendera. Meu pai estava nitidamente nervoso, todo pai quer dar um de médico e olhar as radiografias antes dos médicos, como se eles fossem entender o que estava lá. Meu pai entrou em choque ao ver aquelas radiografias, até mesmo minha mãe, que não entende nada disso, pudera ver, existia uma mancha preta dentro do meu pulmão. Talvez, por causa da preocupação e do estres, a dor aumentara, aumentara também a angustia dos meus pais. Depois de ver aquilo e prever que uma grande trágica notícia estaria por vir, levamos os exames ao médico. Chegando lá, logo fomos atendidos, o senhor de idade já me esperara. Demos os envelopes a ele, e o deixamos examina-los, para ver se ele chegaria a uma conclusão. Sentado naquele cadeira almofadada, super confortável, lá estava ele, olhando fixamente para cada radiografia e anotando numa fixa amarela os resultados dos exames. Passaram-se 10 minutos, todos já estavam aflitos, minha mãe olhava para o médico com um olhar desesperançoso, meu pai balançava a perna esquerda, em sinal do nervosismo, enquanto olhava para mim. Depois de um silêncio de exatos 53 minutos, ele olhou virou-se para a nossa direção e disse: Suspeito de coágulo sanguíneo no pulmão esquerdo causa por hemorragia interna, abaixo do coração, é necessário que seu filho seja operado o quanto antes, ele corre risco de vida. Minha mãe, ao ouvir aquilo, começou a chorar, meu pai, para de balançar a perna e abraça minha mãe dizendo “tenha calma, vai dar tudo certo”. Eu, apesar do nervosismo, estava bem, não sentia medo, apenas, estava sem entender direito o porque de tudo aquilo. Me levaram para uma salinha pequena e fria, um enfermeiro negro e alto, calvo, 45 anos, mandou eu tirar minha roupa e colocar um avental, senti um pouco de vergonha mas o fiz. Dali, me levaram para uma outra sala, onde uma moça muito jovem, quase da minha idade, colocou cuidadosamente soro no meu braço direito. Meus pais estavam conversando com o médico, só lembro que depois de alguns minutos, eu dormi, só acordei na enfermaria 2 do hospital, eu já tivera sido operado, parecia ter ocorrido tudo bem, ter acordado foi um alivio. Logo quando acordei, o médico entrou no meu quarto, engraçado foi ver a cara dele na hora em que eu perguntei para ele como tinha sido a cirurgia. Ele disse: não havia nada, apenas água salgada. Fiquei sem entender, e pedi para ele me explicar. Ele disse: sim, água salgada dentro do seu pulmão esquerdo. Ele riu ironicamente e me perguntou: por acaso você foi a praia recentemente? Eu disse a ele que eu nunca tivera ido a praia ou qualquer lugar onde tivesse água salgada. Ele continuo rindo, eu me exaltei. Eu disse: Então quer dizer que vocês abriram meu peito atoa? Vou ficar com essa cicatriz imensa no peito para o resto da vida? O médico, com um olhar triste, me disse: infelizmente sim."
Não era água salgada, eram lágrimas. O menino da história, de tanto engolir o choro, se afogou por dentro. E a cicatriz, bem, a cicatriz fica, é sinal de que um dia aquilo doeu, mas não dói mais. As dores se vão, mas as cicatrizes no peito, ficam. Cristian. (via oescritor)
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